Profissional autônomo pode solicitar o financiamento de automóvel, contudo, é importante ficar de olho nos comprovantes de renda e as modalidades de financiamento.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), a taxa de informalidade no mercado de trabalho brasileiro subiu para 40% da população ocupada. Isso significa que entre os 86,7 milhões de trabalhadores, 34,7 milhões atuam sem carteira assinada. Os autônomos, inclusive, fazem parte desse grupo.

Caracterizado por não possuir vínculo empregatício com uma empresa, o trabalhador autônomo presta serviços para pessoas físicas e jurídicas de forma eventual, com isso, não tem direito à carteira assinada.

Esse profissionais atuam em diversas áreas, sejam as regulamentadas, como a contabilidade e a nutrição, e também as áreas não regulamentadas, como acontece com pedreiros, manicures e outros trabalhadores, por exemplo.

Neste contexto, compreendemos a importância de explicar sobre o financiamento de veículos para autônomos, já que por não contarem com renda fixa, o processo é visto como mais burocrático. Entretanto, vale destacar que os profissionais autônomos têm direito à solicitação de financiamentos, bem como outras modalidades de crédito.

Sou autônomo, como comprovar renda?

O que é financiamento de automóvel?

O financiamento de automóvel funciona como um crédito, portanto, o consumidor solicita o financiamento do veículo ao banco ou financeira, que por sua vez, realiza o pagamento do bem à concessionária.

O consumidor, então, paga o valor ao banco de forma parcelada, durante um determinado período. Esse valor pago ao banco ou concessionária, contudo, conta com uma taxa de juros, que varia de acordo com a quantidade de parcelas, valor do veículo e ainda o perfil do cliente.

Além disso, em algumas modalidades, durante o período em que o consumidor está pagando as parcelas do financiamento, o bem fica ligado à empresa que emprestou o dinheiro. Dessa forma, em caso de inadimplência, o veículo é leiloado e o valor é usado para quitar a dívida do consumidor.

Vale dizer que cada financiamento possui uma regra, portanto, o ideal é que o consumidor busque a alternativa que melhor condiz com a sua necessidade e o seu perfil.

Autônomo pode fazer financiamento?

Todos os profissionais autônomos podem realizar financiamentos, seja de automóveis ou imóveis. É importante lembrar que, há algum tempos atrás, a comprovação de renda para as instituições financeiras e bancos era feita através da carteira de trabalho e/ou holerites. Por isso, é comum que haja dúvida sobre o assunto, já que o profissional autônomo não possui esses documentos para apresentar.

Entretanto, diante do aumento de trabalhadores autônomos, a forma de comprovar renda passou por modificações e também foi ampliada, logo, outros documentos passaram a ser aceitos. Dessa forma, como dito inicialmente, os profissionais autônomos podem solicitar financiamentos, porém, os financiamentos de automóveis exigem alguns critérios, comum a todos os consumidores:

  • não possuir o nome inscrito nos cadastros de proteção ao crédito, ou seja, estar com o nome limpo;
  • possuir, no mínimo, vinte anos de idade;
  • ter um bom histórico de crédito no mercado, inclusive, o score pode impactar na análise.

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Como um autônomo pode financiar um veículo?

O autônomo pode financiar um veículo, assim como os demais consumidores. Portanto, é possível contar com um dos 3 principais tipos de financiamento: o CDC, consórcio e leasing. A seguir, vamos explicar como funciona cada um deles.

Financiamento CDC

O Crédito Direto ao Consumidor (CDC) é considerado um dos mais conhecidos no mercado e tem esse nome porque a solicitação do crédito pode ser feita diretamente entre o banco e o cliente. Ou seja, o banco empresta o dinheiro diretamente ao consumidor, que por sua vez, paga o valor de volta em parcelas, com acréscimo de juros.

É comum, no Crédito Direto ao Consumidor, que o comprador tenha que pagar um valor de entrada e negociar a quantia restante, no entanto, essa regra pode variar de acordo com cada instituição.
Além disso, no CDC o veículo fica em posse do comprador, contudo, não pode ser negociado. Isso porque essa modalidade utiliza a alienação fiduciária, ou seja, enquanto o financiamento durar, o veículo fica como garantia de pagamento do empréstimo. Em caso de inadimplência, o bem pode ser leiloado para quitar a dívida.

Leasing

Também conhecido como arrendamento mercantil, nessa opção o consumidor entra em contato com uma empresa de leasing, que normalmente é um banco que trabalha com esse tipo de serviço, sem a intermediação da concessionária.

Então, é fechado um contrato com taxas de juros fixas e o cliente paga mensalmente, por um prazo determinado, o aluguel de um veículo. Esse bem, no entanto, fica no nome da empresa responsável pelo leasing durante todo o processo. Dessa forma, após o término das prestações, o consumidor passa a ser o dono do veículo.

A vantagem do leasing é que a contratação do financiamento é feita diretamente com a empresa, assim como acontece no CDC, logo, é possível negociar as taxas de juros de acordo com a renda. Por outro lado, em caso de inadimplência, a empresa pode tomar o veículo de forma menos burocrática, já que o bem está em seu nome, logo, não é necessário uma ação judicial, como no CDC.

Consórcio

O consórcio segue uma lógica diferente do CDC e do leasing, pois nessa opção o consumidor faz parte de um grupo formado por outros compradores, que é organizado por uma administradora de consórcio. Então, mensalmente o cliente paga as prestações, mas só recebe o veículo quando é contemplado no sorteio que acontece todos os meses.

Na prática, é como se fosse uma conta poupança conjunta, em que diversas pessoas interessadas depositam um valor para pagar uma parte do bem. O valor para adquirir o bem pode ser obtido no final do pagamento das parcelas ou através dos sorteios, citados inicialmente.

Além desse sorteio, há também a possibilidade do consumidor oferecer um lance, que nada mais é do que o adiantamento de parcelas a vencer. Em situações assim, o consorciado que oferecer o valor mais alto, será o vencedor do lance.
Apesar de não contar com taxas de juros, as prestações sofrem alterações ao longo do consórcio, de acordo com a variação do valor do automóvel que será adquirido. Portanto, se o preço aumento, a parcela também aumentará. Por outro lado, se o preço do veículo baixar, a parcela também será reduzida.

Os contratos de consórcio podem ter duração de até 84 meses, e há incidência de uma taxa de administração, que varia de acordo com a administradora e é referente aos serviços prestados pela empresa.

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Como comprovar renda sendo autônomo?

O comprovante de renda é um documento imprescindível no momento de solicitar um financiamento, pois é a partir dessas informações que o profissional autônomo demonstra os rendimentos mensais e anuais.

Além disso, é a partir daí que o banco ou financeira realiza uma análise acerca da probabilidade do autônomo arcar com a dívida, bem como define o valor e as condições de pagamento do crédito.

Os documentos utilizados para comprovar renda por autônomos, por sua vez, variam de acordo com a atuação do profissional. A seguir, mostraremos alguns.

Extrato bancário

O extrato bancário dos últimos seis meses costuma ser um documento aceito como comprovante de renda, já que a partir dele é possível acompanhar o faturamento do profissional autônomo ao longo de um período e verificar a periodicidade de entrada desse recurso.

RPA

O Recibo de Pagamento Autônomo pode ser utilizado para os profissionais que não possuem CNPJ e também não emitem nota fiscal. Nesse documento, que deve ser emitido por quem contratou o serviço, seja pessoa física ou jurídica, consta o valor recebido pelo serviço prestado, além do recolhimento de tributos vigentes, como INSS, Imposto de Renda e Imposto Sobre Serviços (ISS), quando aplicado.

Decore

A Declaração Comprobatória de Percepção de Rendimentos funciona como um holerite para os profissionais autônomos, liberais e Microempreendedores Individuais (MEIs). Nela, constam dados como a movimentação financeira do trabalhador, o livro contábil e também a Guia de Recolhimento do FGTS.

Vale ressaltar que esse documento só pode ser emitido por um contador habilitado, já que se trata de um dos comprovantes de renda mais confiáveis para as empresas e que contém dados sensíveis.

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