Pandemia impacta voluntariado no Brasil; saiba como ajudar

Em 28 de agosto de 1985, o então presidente, José Sarney, instituiu no Brasil o Dia Nacional do Voluntariado.

Apesar de o número de voluntários e projetos estar em crescimento, o voluntariado ainda não é comum entre os brasileiros. A Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2019 aponta que apenas 4% da população faz trabalhos voluntários.

Mas você já parou para pensar o que significa ser voluntário na prática? E como esses projetos podem ser impactados por conta da pandemia do novo coronavírus? É sobre isso que vamos conversar!

Desejo de ajudar

O desejo de ajudar é o motor que move muitos voluntários. Com a Silva Olivieri, presidente fundadora do Portal da Caridade, isso não foi diferente. Antes de criar a ONG, ela já fazia trabalho voluntário. Por isso, acabou unindo esforços com seus amigos em um projeto único.

“Eu sentia que quando envolvia meus amigos no projeto, eles tinham vontade de ajudar, só não sabiam como. O Portal da Caridade veio como uma maneira de unir polos, pessoas que querem ajudar e não sabem como e projetos que precisam de ajuda”.

De acordo com Silvia, a ideia da ONG, além de desenvolver suas próprias ações sociais, é fazer funcionar projetos que já existem, ou seja, ir em locais que precisam de ajuda.

Impacto da pandemia no voluntariado

Silvia relata que a “pandemia atacou de forma muito brutal”. Tanto que nas filas de distribuição de marmitas não são apenas as pessoas em situação de rua que aparecem, também é possível encontrar brasileiros bem vestidos, que perderam o emprego.

Alguns projetos pararam de funcionar por conta do risco de contágio ou por falta de doações. No entanto, a situação teve uma reviravolta positiva:

“A gente conseguiu potencializar e estimular ainda mais nossos voluntários e a divulgação do trabalho, que é importantíssima. Foi tomando uma proporção lindíssima na pandemia, a gente conseguiu alguns parceiros importantes.”

Silva ainda ressalta que aqueles que querem ajudar, mas têm medo dos riscos de contágio não precisam necessariamente fazer isso de forma presencial. A ajuda pode acontecer na forma de doações ou pela divulgação de um projeto.

O importante é não perder o desejo de ajudar:

“A caridade é como se fosse uma abelhinha, depois que ela te pica você desenvolve um amor tão grande por aquilo, o amor que você recebe em troca é tão maravilhoso que você quer sempre fazer”.

Amor aos animais

Falando em abelhinha, você já parou para pensar se os animais também estão sendo afetados por tudo isso?

Amanda Lima, estudante de Administração e fundadora do projeto Me Adota SP, conta que os abandonos aumentaram muito durante esse período. E que, apesar de as adoções também terem crescido, elas não acompanharam o mesmo ritmo.

Pensando nisso, ela decidiu criar o projeto para ajudar na divulgação de cães que estavam para adoção. Depois disso, com a página crescendo, passou a ajudar nos resgates.

No início as doações tiveram bastante volume, agora estão paradas. Amanda conta que adotar não é a única forma de ajudar um pet. “Têm vários jeitos! Pode ajudar doando ração, roupinha para animais, cobertores, camas, remédios”.

Outra opção é oferecer um lar solidário, ou seja, ficar com os filhotes até que eles consigam ser adotados por uma família. Ou então escolher apadrinhar um dos cães doando um valor mensal para que eles possam ser cuidados.

Na pandemia, muitos se interessaram por participar de resgates, mas poucos conseguiram ajudar financeiramente.

“O momento que vivemos fez milhares de seres vivos, tanto humanos quanto animais, ficarem em situações horríveis. Em relação aos animais, muitos foram abandonados. E é por isso que é importante doar, mesmo que pouco, para instituições que apoiam essas causas.”

O voluntariado no ambiente universitário

E não existe uma idade certa ou local certo para começar no voluntariado. Para algumas pessoas o ambiente universitário pode ser uma porta de entrada.

O projeto Cásper Solidária, criado por Lígia Ferro e João de Camargo, estudantes de Relações Públicas e de Publicidade e Propaganda da Faculdade Cásper Líbero, é um exemplo.

Eles contam que a primeira ação teve um total de 80 voluntários e, no final do dia, muitos chegaram para agradecer os dois, falando que foi “uma coisa muito boa, que estavam precisando disso”.

O projeto é focado em ajudar instituições pequenas. Lígia conta que a probabilidade dessas instituições receberem ajuda é menor quando comparada com instituições maiores. E a ideia é fazer com que as pessoas consigam enxergar outras realidades.

“A gente está formando comunicadores, que vão sempre se comunicar com outras pessoas. Como é que a gente quer fazer uma comunicação para diversos públicos se a gente não sabe uma realidade diferente da nossa, se a gente não se coloca no lugar do outro?”.

Assim como outros projetos, a pandemia teve um impacto negativo na Cásper Solidária. Apesar de as ações presenciais terem sido suspensas temporariamente, as doações seguem acontecendo.

Lígia e João, porém, contam que essa é uma parte mais delicada: as pessoas normalmente doam mais o tempo delas do que o dinheiro. “A gente está encontrando muita dificuldade nisso, de fazer com que as pessoas engajem e doem”.

Mas e quem ainda está lutando por uma oportunidade nos estudos?

Com a pandemia, muitos estudantes foram afetados com a falta de recursos para estudar. Principalmente no que diz respeito aos estudos para vestibular ou olimpíadas.

O Projeto Foca na ONC, idealizado pela Hanna Beatriz Melo e pelo Rodrigo Oliveira, tenta cobrir essa lacuna nos estudos de muitos brasileiros que pretendem participar da Olimpíada Nacional de Ciências (ONC).

“Por que não utilizarmos desse privilegio de ter um bom acesso à internet para ajudar outros estudantes que podem estar enfrentando ainda mais dificuldades de se preparar para a ONC?”

Hanna, que também é voluntária no programa #tmjUNICEF, ressalta que há diversas maneiras de ajudar ONGs, “cada um pode procurar por uma que tenha uma causa pela qual ele se sensibilize e ajudar por meio de doações ou até doando um pouco do seu tempo para ajudar nas atividades”.

Como as histórias de hoje ressaltaram, esse é um momento delicado para todos, mas especialmente para aqueles que antes mesmo da pandemia já precisavam da nossa atenção. Então, se puder, ajude algum projeto que você se identifique.

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