Estudantes que desejam obter um empréstimo para faculdade podem contar com financiamentos estudantis públicos e privados.

Uma pesquisa divulgada pela Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) mostrou que a mensalidade de um curso presencial em universidades privadas gira, em torno, de R$730 no Brasil. Neste cenário, arcar com os custos de uma graduação pode ser considerado mais complexo para alguns estudantes.

Por isso, uma das opções é solicitar um empréstimo para faculdade, também conhecido como financiamento estudantil, e que pode ser obtido através de financiamentos públicos, como o FIES, ou financiamentos privados, oferecidos por instituições privadas, como bancos e a própria universidade.

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Tipos de empréstimos para a faculdade

O empréstimo estudantil é uma modalidade de crédito destinada aos estudantes de graduação, seja bacharelado, licenciatura ou tecnológico, e, em alguns casos, também cobre pós-graduação. Na prática, é comum que esse tipo de crédito ofereça taxas de juros mais baixas, ou às vezes nulas, e opções de pagamento variadas.

FIES

O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) foi criado em 2001 através da Lei n°10.260. O programa é conduzido pelo Ministério da Educação (MEC) e financia cursos superiores não gratuitos, desde que com avaliação positiva no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes).

Voltado para estudantes com renda per capita mensal familiar de até três salários mínimos, essa modalidade utiliza os recursos da União para o financiamento e oferece, em alguns casos, juros zero. Além disso, o estudante começa a pagar as prestações de acordo com a sua renda, após a conclusão do curso.

Para obter esse tipo de financiamento, é preciso se inscrever a cada semestre letivo no Portal do Programa. Outro requisito é se encaixar nos critérios estabelecidos pelo MEC, são eles:

  • ter prestado o ENEM, em uma de suas edições, a partir de 2010;
  • ter nota média igual ou superior a 450 pontos;
  • não ter zerado a redação;
  • possuir conta corrente na agência Caixa onde assinará o contrato.

P-Fies

O P-Fies foi criado a partir do Novo Fies, que na prática, funciona assim: em 2018 houve a alteração para o Novo Fies, que conta com as regras citadas acima, mas que criou outras duas modalidades, gerando o chamado P-Fies. Em 2020, contudo, o P-Fies foi desvinculado do Fies, por isso, não é necessário realizar a prova do Enem para concorrer ao financiamento nessa categoria.

Ou seja, o P-Fies, atualmente, não possui vínculo direto com o Fies, como acontecia inicialmente, pois os programas foram desvinculados e possuem recursos de fontes diferentes, bem como regras divergentes.

O MEC anunciou ainda que não haverá limite de renda para obter o financiamento estudantil através do P-Fies, que até então estava estipulado em cinco salários mínimos. Essa modalidade funciona com recursos dos Fundos Constitucionais e de Desenvolvimento, bem como com recursos dos bancos privados participantes.

O prazo para início do pagamento das parcelas, por sua vez, varia de acordo com o perfil do estudante, levando em consideração, principalmente, a renda familiar.

Pravaler

O Pravaler existe desde 2001 e oferece o financiamento estudantil no modelo privado, ou seja, o recurso é oriundo de instituições privadas que investem na empresa. A contratação, por sua vez, é semestral, isso significa que o estudante solicita o financiamento de um semestre do curso, mas tem o prazo de 12 meses para pagar.

Além disso, é possível realizar um novo contrato, solicitando o financiamento de mais um semestre, e começar a pagar essas parcelas somente após quitar o contrato anterior. Esse modelo de empréstimo, no entanto, conta com algumas regras:

  • é necessário possuir um garantidor com renda a partir de um salário mínimo. Essa pessoa pode ser o pai, a mãe ou alguém próximo ao estudante;
  • a renda mensal composta pelo estudante e o garantidor deve ser de, pelo menos, duas vezes o valor da mensalidade;
  • é preciso que não haja restrições de crédito no SPC e Serasa, ou seja, o nome deve estar limpo;
  • a faculdade ou universidade escolhida deve possuir convênio com o programa.

Para contratar o financiamento Pravaler é necessário preencher um cadastro, disponível no site do programa. Em seguida, será feita uma avaliação de crédito e, se pré-aprovada, será preciso confirmar os dados acadêmicos.

Por fim, serão solicitados documentos do estudante e também do garantidor, bem como a assinatura do contrato digital.

Financiamento bancário

Outra forma de obter um empréstimo para faculdade é através do financiamento bancário voltado a estudantes. Assim como o Pravaler, também se trata de um modelo de financiamento estudantil privado e que, normalmente, não exige que o estudante tenha realizado a prova do ENEM.

Esse tipo de crédito, contudo, costuma exigir que o estudante obtenha vínculo com a instituição financeira, como abrir uma conta-corrente, e também realizar análise de crédito. A seguir, vamos mostrar alguns deles:

Crédito Universitário Bradesco: O banco Bradesco oferece uma linha de crédito estudantil que permite financiar até 100% do valor do semestre e realizar o pagamento em até 12 vezes. É válido destacar que o financiamento é feito a cada semestre, mas o pagamento da parcela de um novo contrato começa a ser feito após a quitação do anterior.

Além disso, é preciso que o tomador tenha uma conta-corrente na instituição, já que as parcelas são debitadas automaticamente. Da mesma forma, a faculdade ou universidade deve ser conveniada.

Financiamento Estudantil Graduação Saúde: oferecido pelo banco Santander, esse tipo de financiamento é voltado para os cursos de Medicina, Farmácia, Enfermagem, Odontologia, Zootecnia, Veterinária, Biomedicina, Fisioterapia, Fonoaudiologia e Nutrição. A modalidade oferece taxas de juros a partir de 1,39% ao mês e está disponível para estudantes a partir do quarto semestre, que estejam cursando em uma universidade reconhecida pelo MEC.

O financiamento é feito por período, ou seja, por semestre ou ano, a depender do modelo, e o solicitante precisa ter conta corrente no banco, já que as parcelas são debitadas automaticamente. Importante destacar que o Santander não divulga a renda mínima, mas realiza uma avaliação de crédito, levando em consideração o valor da mensalidade.

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Como escolher um empréstimo para faculdade?

Uma das principais dicas que sempre damos por aqui, é realizar o planejamento financeiro, isso é, analisar as necessidades e pensar a longo prazo. No caso de um empréstimo para faculdade, vale a pena levar em consideração o valor total do curso e o tempo de formação.

Além disso, há outros detalhes que devem ser observados:

  • prazo para início e término de pagamento das parcelas do financiamento;
  • valor das prestações;
  • taxas de juros, como o CET (Custo Efetivo Total), já que nele consta ainda o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF);
  • se há análise de crédito;
  • se é necessário adquirir um seguro.

Por fim, o modelo de financiamento também é um aspecto importante nesse tipo de crédito, pois ao optar por financiar um semestre ou todo o curso, é necessário que haja organização para que as parcelas não fiquem atrasadas e o estudante obtenha outra dívida.

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