Entenda melhor o conceito de economia compartilhada e descubra por que ele está revolucionando os mercados, inclusive de trabalho

Antigamente, quem planejava viajar contava com algumas opções de hospedagem. Mas, para os sortudos com amigos no destino escolhido, era só conversar com os anfitriões e programar a estadia. Já para quem não tinha esta possibilidade, o jeito era procurar e fazer reserva em um hotel ou pousada. Ou seja, um cenário bem diferente do que vivemos hoje em dia, no qual, graças à economia compartilhada, é possível se hospedar em uma casa de família, em uma mansão e até em locais mais inusitados, como um barco ou uma casa na árvore!

O exemplo citado, inspirado na plataforma Airbnb, é só um dos modelos de economia compartilhada existentes. Além dele, diversos outros serviços, como Uber e iFood, são usados por milhares de pessoas todos os dias. A seguir, saiba mais sobre o que é economia compartilhada e quais são seus impactos positivos e negativos na comunidade.

O conceito de economia compartilhada

Espaços de coworking são um dos modelos de negócio da economia compartilhada.

Por se tratar de uma ideia relativamente nova, diversos estudiosos têm se dedicado a desvendar a economia de compartilhamento dos pontos de vista econômico e social. Mas, em geral, entende-se por economia compartilhada todas as formas de oferta de serviço e de produtos nas quais o próprio consumidor pode se tornar também um fornecedor e vice-versa.

Para deixar a ideia ainda mais clara, basta pensar em um motorista de Uber (ou 99taxi, Cabify, Lady Driver, etc.). Trata-se de um consumidor que compartilha seu objeto de consumo (o carro) e o seu serviço com outras pessoas. Ao fazer isso, ele recebe uma remuneração.

Existem diversos modelos de economia compartilhada, em segmentos como: alimentação, serviços, bens de consumo, divisão de espaço (como nos coworkings) e até empréstimo de dinheiro ou financiamento de projetos.

Além disso, a ausência de uma linha divisória clara entre consumidor e fornecedor, todos eles têm em comum o fato de reduzirem a importância de intermediários, sendo que, para isso, contam com a tecnologia, como veremos a seguir.

O papel da tecnologia

As plataformas facilitam o encontro de consumidores e fornecedores.

Para quem busca entender o que é economia compartilhada, não é preciso recorrer a qualquer tipo de estudo ou pesquisa histórica para saber que, na prática, ela já existe há muitos anos. Ainda mais quando as cidades eram menores e cada um participava da comunidade de forma mais ativa, era comum pedir açúcar para o vizinho e retribuir o favor na forma de um pedaço de bolo, por exemplo. Mas, mesmo nos tempos atuais, quem nunca combinou uma carona com alguém para ter mais comodidade e dividir o combustível? De certa forma, isso também é economia compartilhada!

O principal fator que contribui para transformar a economia compartilhada em um fenômeno, assim como em um lucrativo modelo de negócio, é a tecnologia. Isso porque, por meio de diversas plataformas, ficou muito mais fácil conectar aqueles interessados em uma experiência àqueles dispostos a oferecê-la. Não bastasse isso, em geral, essas plataformas ainda contam com sistemas de avaliações que permitem aos consumidores e fornecedores terem muito mais tranquilidade e segurança ao realizar as transações.

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Economia compartilhada: uma escolha sustentável?

Ao vender artigos usados, como roupas, consumidores contribuem para reduzir o descarte de lixo.

Para muitos especialistas, a diminuição na venda de veículos, de imóveis, e até de eletrodomésticos. É prova de que estamos passando por um momento em que a experiência é muito mais importante do que a posse. Nesse sentido, muitos argumentam que, longe de ser uma questão de escolha. Isso se deve principalmente às crises financeiras e a uma maior dificuldade de acesso ao consumo.

Independente do motivo, o fato é que a economia compartilhada se encaixa muito bem no cenário atual. Até porque, ela atenderia à demanda de outra grande preocupação dos dias de hoje: a sustentabilidade. Afinal, em vez de estimular o consumo desenfreado, a economia compartilhada seria um passo em direção ao reaproveitamento. É o caso, por exemplo, do empreendimento BLIMO. Autodenominado a “Netflix das roupas”, ele funciona como um clube de assinaturas. Na qual os membros pagam um valor por mês para usar as roupas de um closet compartilhado.

Precarização do trabalho e outros impactos da economia compartilhada


San Francisco, lar do Airbnb, é uma das cidades que sofrem com a especulação imobiliária causada pelo aplicativo.

Recentemente, uma matéria publicada pela BBC trouxe de volta um assunto que ronda a questão da economia compartilhada já há alguns anos. Nela, a equipe de jornalismo revela as difíceis condições de trabalho dos entregadores de aplicativos de delivery. Entre os problemas apontados estão desde jornadas superiores a 12 horas até noites passadas ao relento.

Apesar de preocupantes, os dados apresentados na matéria não são novidade quando o assunto é o que é economia compartilhada. Tanto é que já se tornou recorrente o uso do termo “uberização” para tratar dessa relação na qual trabalhadores prestam serviço e geram lucros para empresas de tecnologia. Sem terem vínculo empregatício e seus direitos trabalhistas garantidos.

Também em relação à economia compartilhada. Em contrapartida surgem as discussões acaloradas são os aplicativos para aluguel de casas para temporadas. Por um lado, o preço mais acessível em relação a formas de hospedagem tradicionais permite que mais gente viaje. Mas, o fato de donos de imóveis ganharem mais com esses aplicativos têm contribuído para o aumento no valor dos aluguéis. Interferindo na especulação imobiliária e empurrando a população local para as periferias. Segundo estudos, outros efeitos negativos desse tipo de aplicativo são a redução de empregos na rede hoteleira. E a diminuição na arrecadação de impostos com turismo.

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