Pessoas pretas representam maior parte da força de trabalho no País, mas ainda são minorias em cargos de altos

Dentro do Brasil, assuntos ligados à promoção da diversidade e inclusão de minorias no mercado de trabalho têm sido cada vez mais discutidos.

Entretanto, apesar dos avanços nas pautas, a realidade ainda mostra a necessidade de muitas mudanças efetivas. Principalmente no mercado financeiro e econômico, o qual é dominado por homens brancos. De acordo com o senso de bancários divulgado pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, apenas 16% de pessoas em cargo de liderança dentro de bancos correspondem a minorias.

Dessa forma, a inclusão racial nas empresas é um desafio que merece olhar atento sempre.

O relatório “Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil”, divulgado em 2019 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) com base em pesquisas realizadas em 2018, analisou as desigualdades entre brancos e negros (pretos e pardos) ligadas à:

  • distribuição de renda;
  • qualidade de vida;
  • representação política e trabalho.

E, quando o assunto é carreira, os negros estão em desvantagem. Isso porque, apesar de constituírem a maior parte da força de trabalho no país, eles ocupam menos de 30% dos cargos de liderança do mercado inteiro.

Além disso, as pessoas pretas ou pardas são a maior parte da população desocupada ou subutilizada, desde antes da pandemia.

Com o intuito de debater um pouco a importância desse tema e trazer uma reflexão para a equipe, convidamos a nossa colaboradora Maria Eloisa Rodrigues, que compõe o time de Customer Success aqui da FinanZero. Veja a entrevista:

“20 de novembro não é data para comemoração”

“É um dia que representa resistência. É o momento de oferecer espaço de fala.

Muito se diz sobre o dia da consciência negra, mas as atitudes nem sempre são tomadas. Isso porque, não é só amanhã que devemos parar e fazer um balanço sobre a desigualdade ou sobre a necessidade de trazer oportunidades. Todos os dias isso precisa, ou melhor, deve ser feito.

Vamos parar para pensar que hoje no mercado de trabalho, principalmente quando se trata de grandes empresas, até multinacionais, o número de pretos é mínimo. E em cargos que representam liderança esse número é ainda menor. Pois a ideia é ter a quantidade necessária apenas para suprir a cota e pronto. Com isso, o desafio é mudar esse ideal”.

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O que fazer para mudar essa pouca inclusão?

“A mudança é gradual, no momento muitas empresas já desenvolvem projetos e ação para trazer pessoas pretas para os cargos em aberto. Recentemente, uma empresa que acompanho fez um projeto que é o seguinte: eles treinaram pretos e demais minorias sem muita oportunidade, durante uma ou duas semanas antes de realizar a entrevista.

Com isso, houve uma preparação para que eles pudessem se sentir mais à vontade mediante à pressão de concorrer com pessoas que foram afortunadas durante toda a vida. Claro que isso ainda não é perfeito, mas é um passo que caminhamos para o aumento de oportunidades. E, além disso, essas pessoas saíram dessa entrevista mais preparadas para outras oportunidades, mesmo que não tenham passado nessa empresa.

Isso mostra que cada atitude importa, e como é essencial para quem está em busca de ingressar no mercado de trabalho”.

“Pessoas pretas não têm as mesmas oportunidades”

“Quando as empresas aceitarem isso, aí sim haverá um progresso. Não é errado falar da escravidão, outros países falam de seus passados vergonhosos. Mas, aqui, nos sentimos reprimidos ao tocar no assunto, porque ainda estamos com uma dívida em aberto. Só que fechar os olhos não vai mudar essa situação.

Já fui em uma entrevista em que me pediram para prender meu cabelo, ou alisá-lo, para estar dentro do padrão da empresa. Me levantei e fui embora. Claramente a vaga ficou para uma mulher branca.

Eu pude fazer isso, porque nunca me faltou estudo e nem carinho dentro de casa. Em meio ao movimento negro me considero privilegiada, pois não parei de estudar para buscar emprego. Só que tenho amigos que não poderiam negar uma oportunidade de trabalho, pois tiveram que sair da escola para ajudar nas despesas de casa”.

Com quantos anos você iniciou sua carreira?

“Comecei a trabalhar aos 16 anos. Em geral pessoas pretas entram no mercado de trabalho mais cedo, principalmente se tratando de quem mora na periferia.

Isso não é um problema quando o trabalho não interfere nos estudos. Passamos a ter motivo de críticas no momento em que só oferecem cargos operacionais para pretos, os quais acabam afetando os estudos e impedindo a pessoa de fazer qualquer outra coisa.

Uma fintech renomada passou por um escândalo após citar que é difícil contratar negros para cargos de liderança. Em tese, isso acabou gerando uma repercussão que faz com que um novo projeto surgisse, com o intuito de treinar pretos para cargos de liderança. Nesse caso, ouve uma ação contra o erro. O problema é quando essa ação não existe”.

“Racismo é estrutural dentro do nosso País e a gente não deveria precisar ir atrás do que é nosso”

“Além disso, precisamos pensar que a população preta não está nas empresas ocupando os cargos que merecem, porque eles não têm a oportunidade de entrar na faculdade. Ou de ingressar em um curso técnico. Isso é uma discussão comum no meu círculo de amigos.

Tá, mas como mudar isso? Vamos chamar as minorias para entrevistas e treinar a galera antes para que possam se desenvolver. Assim pouco a pouco as pessoas vão tomar seus lugares”.

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