Para investir em renda fixa, é preciso levar em consideração os produtos financeiros dessa modalidade e analisar o risco da operação.

Conforme relatório divulgado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), em 2020 a caderneta de poupança representou 29% dos investimentos entre os brasileiros. Contudo, se comparado ao ano anterior, a poupança teve queda de oitos pontos percentuais, enquanto os demais produtos financeiros demonstraram aumento.

Vale ressaltar, inclusive, que a caderneta de poupança faz parte do grupo de renda fixa, que por sua vez, é um tipo de investimento que conta com regras de rendimentos estabelecidas no momento da aplicação. Logo, uma pessoa que aplica dinheiro em algum produto financeiro de renda fixa, sabe o prazo e a taxa de rendimento ou índice que será aplicado.

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Como funciona a renda fixa?

A renda fixa é voltada para pessoas consideradas conservadoras, pois os produtos financeiros dessa modalidade apresentam características previsíveis, dessa forma, trazem mais segurança para quem investe. Isso porque, como dito inicialmente, as regras de rendimento, como taxa ou índice aplicados e o prazo de aplicação, são informados inicialmente, no momento da compra dos títulos.

Portanto, na prática, ao comprar um título de renda fixa, o investidor “empresta” o dinheiro para uma empresa, banco ou instituição pública. Os emissores desses títulos, ou seja, quem toma o dinheiro emprestado, são os bancos, empresas privadas e o governo, o que os diferencia são os títulos privados e públicos.

O retorno financeiro de quem investe em renda fixa, por sua vez, acontece através da devolução da quantia acrescida de juros, que é calculada a partir da taxa de rentabilidade pré-definida, e que leva em consideração ainda o período em que o recurso ficará emprestado, isso é, aplicado.

Sendo assim, o prazo de aplicação, as taxas ou índices de referência e outras regras referentes à negociação desses papéis são estabelecidas no início da operação. Entretanto, é válido lembrar que nem sempre o investidor saberá o quanto receberá em reais no final do prazo. Isso acontece porque existe a remuneração pré-fixada, pós-fixada e híbrida. Esse detalhe, no entanto, vamos explicar mais adiante.

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Quais são os investimentos em renda fixa?

A renda fixa conta com inúmeras categorias de investimentos, já que, como citado anteriormente, agrega títulos do setor privado e público, que são negociados com diversos objetivos. Ainda assim, os investimentos em renda fixa mais comuns são os CDBs, Tesouro Direto, Debêntures, CRIs, CRAs, LCIs e LCAs.

Tesouro Direto

O Tesouro Direto são títulos públicos emitidos pelo governo, portanto, quem aplica nessa categoria está emprestando dinheiro para uma instituição pública. A captação dessa quantia, por sua vez, é utilizada para o desenvolvimento de áreas como educação, saúde e infraestrutura.

Dentre os títulos disponíveis no Tesouro Direto, é possível optar entre:

  • atrelados à inflação, que são híbridos e contam com Tesouro IPCA+ e Tesouro IPCA+ com juros semestrais;
  • prefixados, que são a partir do Tesouro Prefixado e Tesouro Prefixado com juros semestrais;
  • pós-fixados, que são indexados à taxa Selic, também chamado de Tesouro Selic.

CDB

O Certificado de Depósito Bancário funciona como um empréstimo às instituições bancárias, sendo assim, com o dinheiro dos títulos emitidos, os bancos financiam suas atividades, como pagamento de dívidas e oferecimento de crédito.

Normalmente, a taxa de rentabilidade do CDB costuma estar atrelada ao CDI, o Certificado de Depósito Interbancário, como acontece aos pós-fixados. No prefixado, por outro lado, a taxa é estipulada pela instituição financeira em questão e será fixa, portanto, renderá sempre o mesmo percentual.

Uma das vantagens do CDB é que essa categoria conta com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), uma espécie de seguro que devolve até R$250 mil do valor aplicado, caso a instituição quebre ou não consiga devolver a quantia acordada. Em contrapartida, os rendimentos são tributados pelo Imposto de Renda, através da tabela regressiva, com alíquotas de 22,5% a 15%.

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Debêntures

As debêntures são títulos emitidos por empresas, que têm o intuito de quitar dívidas ou financiar projetos, como a construção de uma nova fábrica. Uma das características dessa categoria é que, comumente, o vencimento é mais longo que os demais produtos de renda fixa. Além disso, as debêntures também podem ser prefixadas, pós-fixadas ou híbridas.

De modo geral, há incidência de Imposto de Renda, que leva em consideração a tabela regressiva. Contudo, em caso de debêntures incentivadas, que são aquelas utilizadas para captar recursos em prol de grandes obras de infraestrutura no país, os rendimentos são isentos. Por outro lado, não há cobertura pelo FGC.

LCI e LCA

A Letra de Crédito Imobiliária (LCI) e a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) são aplicações parecidas ao CDB, pois também são emitidas por instituições financeiras. No entanto, essas instituições estão vinculadas à atividades de crédito do setor mobiliário ou do agronegócio, respectivamente.

A LCI e a LCA contam com a cobertura do FGC e são isentas de Imposto de Renda, entretanto, oferecem rentabilidade um pouco mais abaixo que os CDBs.

CRI e CRA

O Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI) e o Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) são produtos financeiros que transformam o direito de crédito em papéis negociáveis, que são emitidos pelas empresas securitizadoras.

Na prática, funciona assim: uma empresa possui uma quantia para receber de um consumidor, que quitará a dívida de forma parcelada, ao longo dos meses. No entanto, a empresa precisa do dinheiro a curto prazo, logo, contrata uma securitizadora, que será responsável por transformar a dívida em títulos de crédito.

Dessa forma, a empresa pode receber o dinheiro antecipadamente, sem precisar esperar pelas parcelas. Quem compra um CRI ou CRA, por sua vez, recebe juros como remuneração. Essa categoria é isenta de IR, mas não possui a garantia do FGC.

Letra de Câmbio

A Letra de Câmbio é um título oferecido pelas financeiras, que são as sociedades de crédito, financiamento e investimento. Na prática, ao adquirir um título como esse, o investidor está emprestando dinheiro para a empresa que emitiu, que pode utilizar a quantia para quitar dívidas ou oferecer crédito e outros serviços aos consumidores.

A rentabilidade, por sua vez, pode ser prefixada, em que é estabelecido um percentual fixo, de forma que o retorno é calculável no momento da aplicação. É possível também adquirir a Letra de Câmbio pós-fixada, que normalmente está atrelada à taxa do CDI e varia de acordo com o mercado financeiro.

Por fim, há também a Letra de Câmbio híbrida, em que uma parte da rentabilidade é oriunda de juros prefixados, enquanto a outra está ligada a um indexador, que pode ser o CDI ou o IPCA, também conhecido como índice da inflação.

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Poupança

Conhecido formalmente como caderneta de poupança, é considerado o investimento mais comum no Brasil. De modo geral, o dinheiro fica depositado em uma conta poupança e recebe um rendimento que leva em consideração o período mensal. A taxa de rentabilidade é a mesma em qualquer banco, seja público ou privado, e é definida e controlada pelo governo, através do Banco Central, e varia de acordo com a taxa Selic.

Vale ressaltar, no entanto, que para gerar rentabilidade, a quantia deve ficar durante todo o mês na conta, pois se houver retirada antes do prazo, não será aplicada ao valor. Este período é chamado de “aniversário” da poupança.

A caderneta de poupança é assegurada pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e possui isenção de Imposto de Renda, por outro lado, é considerada a menos rentável entre os produtos financeiros de renda fixa.

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Como investir em renda fixa?

Na hora de escolher em qual renda fixa investir, é preciso levar em consideração que quanto maior o risco, maior a rentabilidade. Contudo, para quem está começando, a recomendação é investir em produtos financeiros com maior segurança, para que haja uma estabilidade, antes de se voltar aos investimentos menos estáveis.

Além disso, é de extrema importância pesquisar acerca da reputação e consistência financeira do banco ou empresa emissora do título. Isso porque, apesar da renda fixa ser considerada um investimento de menor risco, há a possibilidade do emissor apresentar problemas financeiros e “dar um calote”.

Para isso, é possível utilizar as agências de classificação de risco de crédito, que atribuem uma nota de avaliação, chamada rating, para distinguir as boas e más pagadoras. Tendo isso em mente, para começar a investir em renda fixa, basta seguir o seguinte procedimento.

Compare as ofertas entre bancos e corretoras: da mesma forma que é importante realizar uma pesquisa no momento de adquirir um produto, por exemplo, é necessário verificar as ofertas entre os bancos e corretoras. Dessa forma, além de consultar quais são os produtos financeiros de renda fixa disponíveis, é possível comparar ainda quais são os percentuais praticados, prazo para resgate e outras regras.

Abra a conta: após definir a corretora ou banco, caso não possua conta, será preciso buscar os canais oficiais da empresa para abertura da conta. Normalmente, esse processo exige a apresentação de documentos simples, como RG, CPF e comprovante de residência. Além disso, também é necessário criar uma conta para acesso digital, que pode ser disponibilizada através de aplicativo ou plataforma para computador e celular.

Faça a transferência da quantia que deseja investir: após definir em qual produto financeiro de renda fixa deseja investir e abrir a conta, é momento de realizar a transferência da quantia. De modo geral, essa operação pode ser feita via TED ou DOC, e após a recebido o valor na conta, é só adquirir os títulos escolhidos.

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